A Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia definiu a data de 13 de outubro como o Dia Internacional de Conscientização a respeito da trombose. O objetivo é alertar a população para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da trombose, cujos casos têm aumentado em todo o mundo nas últimas décadas. No Brasil, 489 mil pessoas foram internadas para o tratamento de tromboses venosas entre janeiro de 2012 e agosto de 2023, de acordo com um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).
O cirurgião vascular Marcelo Melzer Teruchkin, do Hospital Moinhos de Vento, explica que o aumento no número de casos do tromboembolismo venoso (TEV) nas últimas décadas está possivelmente relacionado à melhor eficácia dos meios de diagnóstico. O TEV é um termo amplo que inclui a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP).
“O tromboembolismo venoso (TEV) ocorre quando um coágulo de sangue se forma no interior de uma veia, mais frequentemente nos membros inferiores. A embolia pulmonar ocorre quando o coágulo se desprende e vai obstruir a circulação pulmonar. A genética é uma um causa importante, devido a trombofilias (predisposição familiar em formar trombos). O TEV também pode ocorrer no período pós-operatório ou por fatores como câncer, tabagismo, gestação, tratamento com uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal na menopausa, viagens longas de avião e acidentes. Pacientes acamados também têm maior risco de desenvolver a doença”, afirma o cirurgião vascular.
Quando o coágulo se forma em uma veia profunda, o quadro é chamado de trombose venosa profunda (TVP). Se for formado numa veia superficial, é denominado tromboflebite superficial.
Uma trombose não diagnosticada precocemente e, consequentemente, não tratada, pode levar à formação de êmbolos que correm no interior das veias e que podem chegar ao pulmão, comprometendo a oxigenação.
É a temida embolia pulmonar, um quadro clínico caracterizado pela obstrução de vasos sanguíneos no pulmão. A situação é especialmente perigosa porque a parcela do pulmão comprometida pela falta de oxigenação pode não ser recuperada. Teruchkin alerta que a embolia pulmonar provoca dor torácica, falta de ar, aumento da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos. Ela pode evoluir para parada cardiorrespiratória e provocar a morte.
O médico explica que o diagnóstico da trombose venosa profunda (TVP) é realizado por meio do histórico do paciente e de exame físico, associados à ecografia com Doppler nas veias. “Já a embolia pulmonar é diagnosticada pela angiotomografia e/ou cintilografia pulmonar. Atualmente, um exame chamado D-Dímeros (produto da coagulação sanguínea) auxilia na triagem de pacientes de risco para o TEV, de forma rápida e fácil”, diz Teruchkin.
O tratamento tanto da trombose venosa quanto da embolia pulmonar é realizado com anticoagulantes que impedem a progressão do trombo. “Em casos de maior gravidade, em que haja risco de vida, podem ser utilizadas medicações para dissolver o trombo (trombolíticos), a aspiração através de dispositivos colocados no interior dos vasos (endovascular) ou a sua remoção cirúrgica”, explica o cirurgião vascular.
De acordo com Teruchkin, “o Dia Internacional da Prevenção da Trombose alerta para uma série de medidas preventivas e para o diagnóstico precoce que facilitam o tratamento e contribuem para uma evolução mais favorável dos pacientes”. Algumas estratégias para a prevenção da trombose incluem:
Se você já passou dos 60 anos, realizou uma cirurgia recentemente, é gestante, vai fazer uma viagem longa de avião, tem histórico familiar de trombose ou está no grupo de risco para o desenvolvimento desta doença, considere colocar as ações acima em prática e consultar um médico angiologista/cirurgião vascular, responsável pelo diagnóstico e tratamento desta condição. Com cuidado e prevenção, fica tudo bem!