Acompanhar o desenvolvimento de bebês e crianças é uma tarefa exercida com amor e cercada de responsabilidade e desafios. Do nascimento aos seis anos, os pequenos vivem a primeira infância, fase na qual desenvolvem a capacidade de aprendizado, amadurecem o cérebro e formam os primeiros vínculos afetivos e sociais.
É por isso que os cuidados recebidos neste período são determinantes para toda a vida. Além de afeto e estímulo, é preciso dispensar atenção especial à saúde.
Convidamos a pediatra Monallisa Cocco Mariani para falar sobre os cuidados mais importantes de acordo com a fase da vida dos pequenos. Confira as orientações:
Do nascimento ao segundo aniversário, os bebês precisam de atenção constante dos pais. Os primeiros exames, como o do pezinho, são realizados ainda no hospital, assim como as primeiras vacinas. Os cuidados devem seguir em casa, e esses são alguns dos mais importantes:
“Essas medidas, em conjunto com uma alimentação saudável, uma hidratação adequada, brincadeiras que estimulem o desenvolvimento neuropsicomotor e visitas periódicas ao pediatra são fundamentais para a saúde dos bebês”, explica Monallisa.
Depois dos dois anos, os bebês se tornam crianças. Ficam ainda mais atentos ao mundo e realizam cada vez mais conquistas importantes, como os primeiros passos. O papel dos pais é manter a vigilância e a mediação de fatores externos, como a alimentação. Veja as dicas da pediatra:
“Nesta fase, também começa a entrar uma coisa que estamos batendo muito: limitar o tempo de uso de telas e estimular as atividades ao ar livre. A gente tem cada vez mais artigos falando que a criança sim deve praticar um esporte regular, ter um tempo de qualidade de convívio com a família”, orienta a pediatra.
Você deve ter reparado como algumas medidas são essenciais durante toda a primeira infância. A mais importante delas é a vacinação infantil: que protege contra doenças que podem provocar a hospitalização das crianças, como a coqueluche. “Atualmente há um surto de coqueluche no Brasil. O papel da vacina, de acordo com a pediatra, é oferecer uma proteção individual, mas também coletiva: a partir do momento em que você vacina o seu filho, ele não adoece e nem transmite a doença para as outras pessoas.
O pediatra é o profissional que auxilia mães e pais do primeiro dia de vida dos bebês até os 12 anos de idade. Seu papel é orientar e acompanhar o desenvolvimento em cada fase. Se perceber que algo não está dentro do esperado, o pediatra age para orientar que tudo retorne à normalidade.
“Esse é o papel principal do pediatra, acompanhar e perceber que se algo está errado, encaminhar para especialidades, claro, porque nem tudo o pediatra vai resolver sozinho. Por isso, ter uma equipe multiprofissional adequada que o ajude também é muito importante”, explica a médica.
Além do cuidado com a saúde, os pais devem estimular o desenvolvimento da autonomia e do autocuidado das crianças. A capacidade de realizar diferentes tarefas por si mesmo e adquirir habilidades para formar os próprios gostos e opiniões são características que podem ser desenvolvidas na primeira infância. É por isso que o cuidado com a higiene (e, consequentemente, com a saúde) deve ser incentivado desde os primeiros anos.
De acordo com Monallisa, esses cuidados devem ser estimulados conforme a faixa etária. “As crianças a partir dos dois anos podem começar a lavar as mãos, mas ainda com supervisão. Aos quatro anos, elas já podem estar preparadas para fazer esta tarefa sozinhas”, exemplifica a pediatra.
Escovar os próprios dentes pode ser um dos principais marcos da infância, segundo Monallisa: “a partir do momento que nasce o primeiro dentinho, já se pode procurar a ajuda de um dentista pediátrico. Normalmente, é a partir dos dois anos que as crianças já podem começar a tentar fazer o manuseio da escova de dentes sozinhas”. Ela indica, porém, que os pais supervisionem todas as escovações até os oito anos.
“Cada criança tem o seu tempo e sua particularidade, e isso precisa ser levado em consideração. A família precisa perceber o que cada criança já pode fazer sozinha. É comum que algumas sejam mais precoces, enquanto outras vão demorar mais tempo. É papel dos pais estimularem e ficarem a postos para ajudar e apoiar até que as crianças consigam fazer sozinhas essas pequenas tarefas tão importantes”, orienta a pediatra.
Além desses cuidados, o que os pais podem fazer para estimular o seu filho a ter uma vida mais saudável? A pediatra incentiva a família a manter um tempo de qualidade com as crianças. “Isso significa brincar com os filhos desde pequenos, procurando brinquedos que sejam compatíveis com a sua faixa etária, como os livros com texturas para os bebês e a massinha de modelar a partir dos dois anos”, diz a pediatra.
E por família, entende-se também o contato com tios, primos e avós, já que esse contato é importante também para os familiares, e a interação entre diferentes faixas etárias é benéfica tanto para as crianças quanto para os adultos.
Em uma época em que as pessoas tendem a ficar cada vez mais em casa, estimular os pequenos a praticar esportes e brincadeiras ao ar livre também é importante, de acordo com a pediatra. Com cuidado e atenção, fica tudo bem!